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Qual brasileiro não conhece Emília, Narizinho, Dona Benta, Pedrinho, Visconde de Sabugosa, Saci Pererê, Tia Nastácia e a Cuca? Alguns dos personagens do memorável  Sítio do Pica Pau Amarelo, marcaram época e ilustram, até hoje, características marcantes encontradas em muitos brasileiros, traduzidas como ninguém através da bela obra de Monteiro Lobato.

Este escritor marcou o início da literatura infantil no Brasil e comemoramos neste mês de Abril,  130 anos de sua existência e genialidade. José Bento Monteiro Lobato nasceu em 18 de Abril de 1882 na cidade de Taubaté, interior de São Paulo e faleceu em 1948. Quando os livros eram feitos apenas para adultos, este editor e jornalista percebeu que restava ainda um gênero muito importante e diferenciado da literatura a ser criado. Com foco nas crianças, Lobato transformou uma época, com livros e muitas histórias que são lidas e relidas até hoje.

Monteiro Lobato formou gerações e mais gerações de brasileiros, por meio de conteúdo que incitam a irreverência, liberdade de imaginação, incentivo ao questionamento e ao desenvolvimento de leitores críticos e independentes. Através da abertura de espaços modernos e democráticos, figuras típicas da cultura e do folclore brasileiro, se misturam a heróis da mitologia grega fundindo a realidade a fantasia em inúmeras narrativas despojadas e inteligentes.

Sempre insatisfeito com as traduções dos livros europeus para crianças, ele criou aventuras com figuras inspiradas em personagens da roça e no folclore do Brasil, além de tornar-se pioneiro na literatura em que se aprende brincando, graças às explicações de matemática, gramática e geografia introduzida nas histórias. Com muitas passagens pelo folclore, termo em inglês que significa folk (povo) e lore (saber), sua escrita traduzia muitos elementos do povo brasileiro e manifestações da cultura popular. A versão dada ao Saci Pererê é até hoje reconhecida por muitos de nós. O travesso molequinho negro, que pula de uma perna só, que fuma cachimbo e usa um gorro vermelho onde carrega seus poderes, é uma espécie de duende que tem provavelmente uma de suas origens em mitos indígenas e personagem similar da cultura portuguesa.

Até meados de 1917, Monteiro Lobato morava em uma fazenda na Serra da Mantiqueira e aproveitou para observar com mais detalhes o mundo da roça. Foi nessa época que criou o personagem Jeca Tatu, adepto da “lei do menor esforço” era completamente diferente dos caipiras e indígenas idealizados pelos romancistas da época. Cerca de 30 anos depois, após muita revolução e intriga, Lobato reinventa seu personagem com ares da nova época, agora Jeca Tatu, vira um trabalhador rural sem terra, no mesmo ano onde latifúndio e distribuição injusta de propriedade rural, reinavam nas notícias dos jornais.

Estas e muitas outras relações entre personagens, cultura e realidade marcaram suas obras. Após 130 anos, agora assistimos  “O Sitio” na telinha, lemos  suas histórias para as crianças modernas de hoje e convivemos  com as mesmas injustiças que por ora lutaram seus personagens. Lobato faleceu aos 66 anos de idade. Era brasileiro, escritor, fazendeiro, editor e deixou uma  riquíssima obra que vale a continuidade para as próximas gerações.

 

Crédito imagens:  VithaisBrinquedos Raros