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A economia da expectativa move tudo o que é novo. Se ninguém tem, ninguém conhece ou ainda não comprou é porque se trata de novidade e se é novo, todos querem. Parece que o que está em alta hoje em dia é, de longe, o ineditismo do momento. Para as empresas, lançamentos e mais lançamentos são sinônimos de popularidade e reconhecimento. Os consumidores buscam o que é diferente, inovador, original, criativo, revolucionário, moderno, melhor, mais tecnológico e nunca antes experimentado. Mas o que é este conceito que parece ter deixado muitas marcas felizes e outras correndo atrás, não se sabe ao certo do que?

Este mês a Trendwatching empresa que analisa tendências ao redor do globo e realiza diversos trabalhos na área de marketing, criatividade e pesquisa estudando as melhores soluções para o consumo e para o mercado publicou um artigo onde define seis fatores que ressaltam ainda mais o significado do termo em destaque: Destruição Criativa, FSTR, Experience Cramming, Status Stream(Fluxo), Trysumer e To have is to (h)old.

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Para o primeiro, sabemos que a criatividade está em alta. Nos últimos dez anos, houve um incremento significativo no registro de patentes, segundo a Organização Mundial da propriedade Intelectual. Foram 1,4 milhão em 2000 contra 2 milhões de registros em 2010. São diversas experiências, incluindo produtos e serviços novos a todo o momento. Para chamar a atenção dos consumidores, os lançamentos já baseiam sua estratégia principal no princípio da novidade. A trivialidade fica apenas para os perdedores.

newism-conteudobistro-consumo-novoO mercado e os consumidores estão ansiosos, talvez pelo excesso de pensamentos no futuro. A sigla FSTR é a abreviação de FASTER – rápido, como a tecnologia de hoje em dia, a estratégia de um viral na internet, a comunicação através de ferramentas on-line, a resposta de uma marca ao consumidor. Quem não estiver alinhado com esta velocidade, certamente será eliminado por um concorrente mais veloz. A internet é quase um sinônimo desta rapidez e os exemplos são muitos, como: Instagram (10 milhões de usuários em menos de 1 dia) , Drawsomething (35 milhões de usuários em 1 ½ mês),  Apps para IPhone (em menos de 3 anos mais de 500mil disponíveis), Tumblr ( 680% de crescimento no Brasil em 2011) e Pinterest(envia mais visitantes para outros endereços que Linkedin, You Tube e Google+ juntos).

newism-consumo-mercado-conteudo-bistroNo momento aonde a exposição on-line ganha destaque, os consumidores vão além, buscando fora da rede, experiências pra lá de inovadoras. Sites específicos como LinkedIn  e About.me , além de muitos outros, são preenchidos com informações pessoais, profissionais, fotos que identificam um usuário rapidamente através de um login ou apelido. Mas, parece que o lugar mais desejado é traduzido pelas participações em eventos diferenciados, off-line e fora do convencional. A busca é constante pela presença em ocasiões que fazem o indivíduo “se gabar”. È uma verdadeira fonte alternativa de Status. Velhos símbolos como bolsas de marcas chiquérrimas, carros de luxo ou jóias, estão cedendo lugar a outras práticas, digamos, extravagantes como jantar, não apenas a céu aberto, mas a cerca de 50 metros de altura com direito a mesas e cadeiras suspensas por um guindaste pela bagatela de 7.900 Euros, na Bégica. Se quiser em outro lugar, fica um pouquinho mais caro. Está é a essência do Experience Cramming.

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Além das experiências, produtos únicos e exclusivos também contribuem para aumentar o “gabarito” deste consumidor antenado. Aquele que sabe sobre o que é novo no mercado também ganha pontos e continua no fluxo global de singularidades e de Status. E a marca, que ajuda informando sobre como adquirir as últimas novidades, ganha fiéis seguidores. Um caso clássico é o lançamento realizado pela Nike em torno do tênis Air Yeezy II, fruto da parceria da empresa com o fashion rapper Kanye West. A edição do segundo modelo do tênis foi radicalmente limitada (cerca de 35 pares para o Brasil a R$700), fazendo sites como eBay alcançarem lances maiores de USD 4mil pelo par e bombardeando redes como Twitter com fotos dos compradores usando o cobiçado modelo de coleção.

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Isso faz com que o consumidor arrisque mais e ainda erre menos. O Trysumer aproxima o consumidor da marca antes mesmo de experimenta-la. Modelos de negócio permitem a participação, interação e transparência nos processos que envolvem um produto ou serviço. Sites como Tripadvisor e Apps como Foursquare , permitem que clientes conheçam, sem nenhuma restrição, opiniões de terceiros avaliando os serviços utilizados e divulgando-os, de forma positiva ou negativa, através da rede. Isso faz com que as novidades tornem-se menos distantes e menos arriscadas.

O último fator, tem haver com aquele que atualiza versões anteriormente baixadas na internet, compartilha com terceiros itens já utilizados, alugando-os ou mesmo vendendo-os por preços mais em conta, incrementa assim, a tendência do “re-comércio”. Os brechós on line, começam a surgir e renovam antigos métodos. Plataformas e portais se dedicam a alugueis, vendas e a troca de quase tudo. O novo também pode continuar novo para aquele que está adquirindo o item pela 1ª vez e a versão antiga pode ser repassada para outra pessoa ou sofrer uma atualização deixando de ser ultrapassada. O consumo consciente e o desapego parecem encaixar-se nesta onda. No entanto, este continua a ser o mar do capitalismo. Pessoas versus consumidores?

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Na contramão da tendência do Newism, considera-se ainda que nem tudo que é novo ou teoricamente melhor, substitui o valor de marcas tradicionais e consagradas. Não é sempre e não são todos os consumidores que estão catequizados a este respeito. Não devemos esquecer que uma tendência é uma propensão ou inclinação natural para prováveis acontecimentos. Contudo, o enredo pode ser um só: uma “hipertrofia” de inovações e excessos do mercado. Restando, portanto, as marcas, atrair e capturar os consumidores, em tempo de conseguir sua atenção, que pode ser momentânea e o retorno substancial. O consumo em sua nova forma é uma realidade e o diálogo entre empresas e clientes pode estar a menos de um clique de distância. È provável que não exista uma comprovação acerca do tema, mas é mais provável ainda que este seja mais um dos novos e grandes desafios do mercado atual.

Crédito imagens: Dinnerinthesky.com , www.twitter.com, marcianassrallahIronboxeTecnologia IG.