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Parece que as bicicletas estão ganhando um pouco mais de espaço na cidade de São Paulo. Com alguns estudos em desenvolvimento e algumas pequenas ações iniciadas, as bicicletas estão conquistando um lugarzinho ao sol na terra da garoa. As ciclofaixas, aos domingos, parecem fazer parte do roteiro anti-estresse do paulistano. Outros percursos também estão sendo estudados para integrar o dia-a-dia do ciclista na cidade.

Em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação (SEME) o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) iniciou o trabalho de mapeamento de ciclorrotas do centro expandido no município de São Paulo. O objetivo principal é fornecer informações detalhadas sobre caminhos alternativos através de um mapeamento que informa os caminhos mais seguros, agradáveis, com menor tráfego de automóveis, menor grau de elevação entre outros detalhes capazes de auxiliar aqueles que já pedalam por São Paulo. Também serve de incentivo para quem ainda não conseguiu incorporar o hábito em sua rotina, seja como meio de transporte, treino ou apenas lazer.

O estudo foi realizado com ciclistas experientes que circularam pelo centro expandido traçando  as melhores rotas a serem percorridas. Em conjunto com especialistas e pesquisadores do CEBRAP. O resultado, por enquanto, é um mapa virtual das melhores ciclorrotas de São Paulo, que pode ser baixado em arquivo PDF.

Foram considerados os principais cruzamentos entre bairros passando por pontos de interesse como estações de metrô, de trem, museus e outras referências urbanas. Alguns caminhos apresentam maiores ou menores dificuldades para o ciclista, porém no mapa é possível identificar os locais com inclinações acentuadas, volume de tráfego, direção das vias e trechos de desmontagens. O mapa inclui os bairros como Ipiranga, Cambuci, Brás, Sé, República, Liberdade, Vl Mariana, Bela Vista, além de Barra Funda, Lapa entre outros.

Algumas novidades também animaram os cicloativistas. A ciclovia fixa da Av. Faria Lima está sendo estendida até o Parque Villa Lobos. Agora ela irá atravessar o Largo da Batata, a Pedroso de Morais, passará pela Praça Panamericana até chegar ao parque. A ciclofaixa de lazer, com funcionamento aos domingos, também está em expansão.  A promessa é interligar, ainda em novembro, alguns locais do centro da cidade até o Parque do Ibirapuera. A ampliação inclui a Praça Dom José Gaspar, a Praça Roosevelt e o Parque da Luz. Iniciando na Av. Paulista a ciclofaixa seguirá pela Rua Vergueiro, Domingos de Morais, Jabaquara, Indianópolis e República do Líbano.

Segundo dados do CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a cidade atualmente conta com 57,5km de ciclovias e 128km de estrutura para as bicicletas, que inclui as  ciclofaixas (quando uma das pistas é exclusiva para ciclistas, 70km) e ciclorrotas (quando a bike divide espaço com os carros, 58km). Quando comparamos com outros países onde a bicicleta já faz parte do dia-a-dia dos cidadãos, estes números ainda são muito restritos.

Em Amsterdã – Holanda, 40% dos deslocamentos da cidade são feitos de bicicleta. Em Copenhagen – Dinamarca, 32% dos empregados vão trabalhar com a magrela. Em Portland – EUA as pessoas com renda mais baixa possuem vantagens diferenciadas para adquirir uma bicicleta na cidade, que conta com 480km de ciclovias. Em Basileia – Suíça, além das ciclovias a cidade possui programas de aluguel de bikes muito bem planejados e interligações entre cidades que ultrapassam o perímetro urbano. Em Barcelona – Espanha existem mais de 3.200 vagas de estacionamentos para bicicletas, além de garagens subterrâneas que garantem maior segurança ao ciclista. Recursos de segurança são sempre importantes, como o Bicibuscadores.

Enfim, os exemplos são inúmeros e a moda já se consolidou. Agora é torcer para que ela pegue cada vez mais por aqui também. Muitos projetos estão sendo realizados por aqui, com ajuda privada e recursos de crowdsourcing por exemplo, mas a mobilização do governo é muito importante para que as grandes capitais brasileiras se igualem, ou ao menos se aproximem, destas cidades estrangeiras.

Baixe aqui a CICLORROTA DE SP 
Dados REVISTA GALILEU 
Imagens: Creative Commons via Flickr